A Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (FLCS) realizou, a 31/08 do ano corrente, no Campus Principal, uma palestra intitulada “A Cooperação entre Moçambique e a Rússia: Da Era Soviética à nova Dinâmica Geopolítica”, organizada pelo Departamento de Ciência Política e Administração Pública.
Durante a palestra, o orador Prof. Doutor Sérgio Chichava, defendeu que as relações entre Moçambique e Rússia compreenderam três fases nomeadamente: o período de grande intensidade, durante a luta anticolonial até aos primeiros anos da independência de Moçambique; a segunda fase, marcada pela estagnação que se deveu a vários factores, principalmente internos nos dois países; e o período da retoma, iniciado em 2014, com a subida ao poder do antigo presidente Filipe Nyusi e que continua com o actual presidente de Moçambique.
Segundo o orador, a fase de estagnação esteve relacionada com vários factores, entre os quais o desaparecimento e a desintegração da União Soviética, devido, entre outros aspectos, ao fracasso do modelo socialista, bem como as enormes crises que Moçambique enfrentava, como a guerra civil, a seca, a falta de quadros e as falhas do próprio modelo económico socialista. Neste âmbito, Moçambique teve de se abrir ao mundo, passando a integrar as instituições de Bretton Woods.
O período de retoma das relações entre os dois países coincide com novos desafios no cenário internacional e nacional, nomeadamente o terrorismo em Moçambique e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Neste contexto, Moçambique continua a adoptar uma posição de neutralidade, não condenando nem apoiando a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, ao mesmo tempo, procura manter relações com os dois países. Para Chichava, Moçambique tem procurado manter uma política de equilíbrio.
“A Rússia continua a ser vista pelo governo de Moçambique como um parceiro estratégico e fundamental na preservação da política de neutralidade e não alinhamento que sempre caracterizou a política externa deste país africano”, afirmou.
O orador disse ainda que a presença russa em Moçambique continua aquém do que fora nos primeiros anos de independência.
Por sua vez, o director da FLCS, Prof. Doutor Samuel Quive, felicitou o departamento explicando que a UEM está no processo de transformação para uma universidade de investigação, e esta iniciativa vem consolidar e implementar parte dos grandes objectivos da universidade. “Esta palestra é o exemplo de investigação que está a ser feita e da qual parte de conhecimento será aqui apresentada. A universidade quer no futuro que a gente produza conhecimento e coloque esse conhecimento ao serviço do processo de ensino e aprendizagem”, destacou.
A iniciativa cujo objectivo era estimular reflexões analíticas e críticas sobre estes assuntos no seio dos estudantes e promover debates sobre questões candentes das áreas de domínio da universidade, contou com a participação do Embaixador da Rússia, docentes e estudantes.
