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Faculdade de Letras e Ciências Sociais

Bruno Costa alerta para o impacto das redes como um espaço de discussão política

O orador e vice-reitor da Universidade da Beira Interior (UBI) para internacionalização e Comunicação, Prof. Doutor Bruno Costa, alertou para o impacto das redes sociais como um espaço de discussão política. Explicou que na Grécia antiga as pessoas discutiam em espaços públicos, nos anfiteatros onde debatiam e votavam. Nos dias de hoje, essa discussão acontece nas redes sociais, o que obriga os actores políticos a estarem onde estão os cidadãos.
O orador falava durante a palestra intitulada “A Comunicação Política e o Populismo na Actualidade”, realizada na passada quarta-feira (08/07), no Campus principal da Universidade Eduardo Mondlane. O evento foi organizado pelo Departamento de Ciência Política e Administração Pública da Faculdade de Letras e Ciências Sociais.
Segundo o Prof. Doutor Bruno Costa, as redes sociais são uma porta aberta, onde não há controlo sobre os conteúdos divulgados, e tudo o que se publica chega directamente ao cidadão, sem intermediários, o que reduz a capacidade de filtrar a veracidade da informação. “E isso cria uma percepção de que há um diálogo e proximidade entre o cidadão e o actor político. Esta dinâmica tem possibilitado o surgimento de actores políticos fora do sistema tradicional, portanto, anti-sistémicos,” afirmou.
O orador apontou ainda as fake news e a capacidade de criar conteúdos com recurso à inteligência artificial, que aparentam ser autênticos, como um dos maiores desafios sob ponto de vista da comunicação na ciência política.
O Prof. Doutor Bruno Costa referiu também que a excessiva personalização da política é uma das características das redes sociais que empobrece o debate público, uma vez que, em vez de se discutirem ideias, ideologias e propostas centram-se em discutir pessoas, o candidato e não a sua proposta política.
Costa considera que as redes sociais permitiram uma inversão tradicional da divisão dos três poderes do Estado, legislativo, executivo e judicial. Destacando a influência de mais dois poderes, o poder dos médias e poder económico. Na sua perspectiva, os media têm o poder de eleger determinados representantes. Quanto ao poder económico defendeu que um candidato pode alcançar notoriedade mesmo sem grande reconhecimento público, desde que disponha de recursos financeiros, tornando a componente económica um factor determinante na disputa politica.
A palestra contou com a presença de estudantes da Faculdade de Letras e Ciências Sociais e de outras instituições do ensino superior, entre os convidados esteve também um deputado da Assembleia da República.

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