O Departamento de Antropologia e Arqueologia da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) realizou mais uma sessão no âmbito dos seus seminários interdisciplinares, na qual se discutiram temas como a morte da universidade, gnose, empregabilidade e economia política.
A reflexão centrou-se na ideia da “morte da universidade” e contou com a participação de docentes e estudantes. O orador, docente de Antropologia da Faculdade de Letras e Ciências Sociais (FLCS), mestre Hélder Nhamaze, propôs uma análise sobre o papel dos estudantes, o significado da educação para além da empregabilidade e a possibilidade de as universidades diminuírem ou se transformarem.
Para o orador, existem várias perspectivas possíveis na discussão sobre a morte da universidade.
“Em Moçambique, a universidade é vista como um instrumento de mobilidade social ascendente, o que nos dá uma perceção do tipo de tecido social do país”, afirmou.
Nhamaze desafiou os presentes a reflectirem sobre o jovem que ingressa na universidade com o objetivo de resolver problemas e reconheceu que estamos perante uma discussão sociológica profundamente ligada a demandas específicas.
“Temos de ter uma atitude positiva em relação à morte da universidade, mas, em termos políticos, deve estar muito claro qual é o valor do conhecimento científico e como as estruturas políticas olham para a universidade”, disse.
“Não haverá propriamente uma morte da universidade, mas sim a sua transformação num espaço de formação de líderes para o futuro”, acrescentou o docente.
Relativamente ao papel da comunidade universitária, o orador destacou a necessidade de reconhecer o desafio da persistência da universidade e de refletir sobre o posicionamento dos seus intervenientes face a esse cenário.
Para Hélder Nhamaze, o anúncio da “morte da universidade”, mais do que significar o fim do ensino superior, representa uma oportunidade de reconversão dos seus propósitos. Defendeu ainda que a universidade não deve ter como único fim a empregabilidade.
Assumir a multidimensionalidade da universidade é, assim, o primeiro passo para compreender se ela está, de facto, em declínio ou em transformação.
Durante o debate, foi também destacada a necessidade de as universidades continuarem a formar cidadãos conscientes. Apesar disso, reconheceu-se que muitos estudantes estão actualmente mais preocupados com a obtenção do diploma e do emprego do que com a produção do conhecimento.
Nesse sentido, sublinhou-se que o estudante deve estar no centro do processo educativo — não como uma mera caixa de ressonância, mas como um agente ativo e participativo no seu percurso de formação.
