Olga Cambaco 01O Departamento de Antropologia e Arqueologia da Faculdade de Letras e Ciências Sociais (FLCS) realizou a quarta sessão dos seus seminários interdisciplinares. O evento contou com a presença da Prof. Doutora Olga Cambaco, que partilhou reflexões sobre as experiências vividas na implementação de metodologias participativas e inovadoras com adolescentes em zonas mineiras.
Segundo a palestrante, o photovoice é uma metodologia visual e um processo dinâmico através do qual as pessoas podem identificar, representar e melhorar a sua comunidade utilizando técnicas fotográficas específicas. A oradora explicou que este é um tipo de pesquisa feita com as pessoas, e não para ou sobre as pessoas. Através deste método, o investigador tem a oportunidade de integrar a comunidade, permitindo que esta co-participe activamente em todo o processo do estudo.
"O photovoice tem o objectivo de dar voz às pessoas que não têm voz, e não é só sobre questões que lhes dizem respeito; acima de tudo, é promover um diálogo crítico sobre conhecimentos muito importantes, e espera-se que os formuladores de políticas possam agir e que mudanças ocorram", destacou Olga Cambaco.
A utilização desta metodologia em comunidades mineiras envolveu adolescentes dos 15 aos 17 anos, nos distritos de Moatize e Moma. O projeto foi impulsionado pelo interesse em compreender o quotidiano destes jovens e a leitura que faziam de si mesmos nessas regiões. No decorrer do estudo, a investigadora percebeu que havia muitas lacunas no que diz respeito a estudos sobre a vida dos adolescentes em zonas mineiras. Para a docente, o photovoice visa reflectir sobre as preocupações diárias e buscou representar a realidade de Moçambique, de África e das suas comunidades rurais.
O trabalho de campo envolveu uma forte aproximação com o meio social dos participantes. "Tive a oportunidade de conhecer a comunidade, dialogar com as lideranças comunitárias, os pais dos adolescentes, e foram selecionados e treinados adolescentes para fazer parte da conversa sobre a visão do ambiente em que estavam inseridos", explicou a palestrante. Durante o processo, os jovens aprenderam a fotografar, a considerar os elementos éticos e tiveram a oportunidade de debater sobre o que as fotos tiradas representavam e o que desejavam que mudasse na sua comunidade.

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